Sôbre a Menopausa
O que é a Menopausa?
Sintomas e Sinais
Ossos,Articulações e Osteoporose
Área genital e Incontinencia
Coração e Vasos
Cérebro
Cancro
Cuidado Pessoal
Seu Médico
Psicologia
Vida Sexual
Conservando a Saude
Glossário
PF
Exames úteis
Tratamentos úteis
Actualizações
Ligações
Contacte-nos
|
O ENVELHECIMENTO CEREBRAL E A DOENÇA DE ALZHEIMER
"MARIPOSA MISTERIOSA DA ALMA"
"A minha mãe tinha a doença de Alzheimer. Gostava tanto dela, que me custou muito vê-la afundar-se mais e mais de dia para dia, em esquecimentos sem nome, num deserto onde não nascem flores... não havia emoções nem dias. Foi terrível ver que ela não me reconhecia. As emoções que senti foram tão fortes, a esperança que tinha quando algo parecia que a fazia regressar a mim: quem sabe um cheiro, ou às vezes a minha voz. Eu cuidei dela com afecto e cuidado, convencida de que o amor teria a capacidade de a despertar, de a tirar dessa névoa que lhe havia paralisado o cérebro. No entanto, não consegui vencer essa batalha. Já passaram dois anos desde que morreu. A pouco e pouco começo a ter outra preocupação. Estou a perder a memória. Tenho dificuldade em recordar nomes, tomo nota de tudo. Estou aterrorizada de poder perder-me na mesma névoa... Uma vez, o senhor doutor mencionou que os estrogéneos podiam ajudar a manter o cérebro jovem. Pode-me explicar isso melhor? Tenho 58 anos, estou há 6 na menopausa, e não faço nenhum tratamento relativo à menopausa. Haverá alguma esperança em relação a esta doença?"
Cecilia
O QUE É O ALZHEIMER?
- É uma doença degenerativa do
cérebro.
- Caracteriza-se por uma perda progressiva da memória, mudanças na personalidade e distúrbios de comportamento.
QUANTAS PESSOAS AFECTA?
- Nos EUA 10% da população acima dos
65 anos sofre de demência senil.
- Em +/- 70% destes casos, a causa do problema é a doença de Alzheimer.
COMO SABER SE VOCÊ TEM ESTA DOENÇA?
Os primeiros sintomas "suspeitos" são:
- Perda da memória recente
- Dificuldade em perceber o sentido
das situações
- Facilidade de se perder no tempo e
no espaço.
Sinais tardios são:
- Perda de memória de acontecimentos
longínquos
- Aumento de desinteresse no
bem-estar de outras pessoas e pela higiene pessoal
- Incontinência
PORQUE É QUE A PERDA DE MEMÓRIA É TÃO DEVASTADORA PARA A PERSONALIDADE?
- A memória ajuda-nos a manter ao
longo do tempo, a noção do quem sou "eu"
- Ajuda-nos a saber quem somos, onde
estivemos, e quem é importante para nós.
- Dá sentido à nossa existência
- Perder a nossa memória significa
perdermo-nos a nós próprios, convertendo a nossa existência
em instantes, sem sequer haver ligação com os instantes
anteriores.
- Perder a memória é como ter um
filme em que cada cena está cortada e separada das outras.
- A memória dá-nos o sentido de
passado, presente e de futuro.
AS PESSOAS AFECTADAS DÃO-SE CONTA DISTO?
- No começo "Sim"
- Depois é difícil saber que tipo de
consciência permanece. Quiçá a sensação de ver as outras
pessoas à distância
- Desesperadamente, às vezes
reconhecem algo familiar - um perfume, um tom de voz, um
sorriso
- Infelizmente, esta doença também é
terrível para os seus familiares, principalmente ao ver que
o seu ser querido já não os reconhece.
- As dificuldades na personalidade e no comportamento obrigam frequentemente ao internamento destas pessoas - deixá-las ao seu destino. Geralmente este acto acelera a deterioração desta doença, até ao ponto em que o seu próprio reflexo no espelho as assusta.
COMO PODEMOS SUSTENTAR O FACTO DE QUE OS ESTROGÉNEOS NOS PODEM PROTEGER DESTA DOENÇA?
- O número de casos desta doença
aumenta mais nas mulheres depois dos 65 anos, do que nos
homens.
- Dependendo da idade, as mulheres
sofrem da doença 1.5 - 3 vezes mais do que os homens.
- Mulheres que tenham tido um ataque
cardíaco têm uma probabilidade de sofrer de demência 5 vezes
mais do que outras mulheres: isto deve-se ao facto de ambas
as doenças evoluírem devido à falta de estrogéneos.
- As mulheres magras têm mais risco.
Isto porque as mulheres mais fortes produzem estrogéneos no
tecido adiposo e dessa forma "protegem" os seus cérebros
- Uma observação directa revelou que ao dar estrogéneos às mulheres aquando da menopausa reduz o risco de Alzheimer em cerca 40% como se demonstrou num estudo epidemiológico realizado por Ann Lia Paganini - Hill (USA)
PORQUE É QUE OS ESTROGÉNEOS TÊM UMA FUNÇÃO PROTECTORA?
- Estas hormonas são factores
nutritivos potentes para as células nervosas
- O conceito de "neuroplasticidade",
que é a capacidade reparadora do nosso sistema nervoso
- Ramón y Cajal, o grande anatomista espanhol, nomeado para o Prémio Nobel no começo do século passado, descobriu com o microscópio os neurónios, dando-lhes o nome de "mariposas misteriosas da alma". Os estrogéneos alimentam estas mariposas, fazendo com que voem, mantendo os pensamentos e a memória frescas tanto quanto possível, ambos em condições normais de envelhecimento e naqueles sem riscos de Alzheimer.
SE A ALZHEIMER É UMA DOENÇA GENÉTICA, COMO PODEM OS ESTROGÉNEOS TER UM EFEITO BENÉFICO?
- Os estrogéneos não podem alterar os
genes, mas podem alterar a forma como os genes "doentes"
expressam os seus defeitos.
- O facto de ter genes para uma doença específica não significa obrigatoriamente que venha a ter essa doença. A expressão destes genes depende de muitos factores do organismo, tanto internos como externos. No caso do Alzheimer, os estrogéneos podem ter um factor protector no desenvolvimento da doença
EXISTEM OUTROS FACTORES QUE POSSAM ACELERAR O DESENVOLVIMENTO DESTA DOENÇA?
- A solidão, p.ex. a perda de
estímulos emocionais e afectivos
- A perda do "sentido" da vida pode
acelerar a forma como uma pessoa "se dá por vencida" pela
doença, e desapareçam os vínculos com as outras pessoas e
eventualmente consigo mesmos.
EXISTEM OUTROS TIPOS DE DEMÊNCIA QUE NÃO SEJAM HEREDITÁRIOS COMO O ALZHEIMER?
- Sim. Nestas situações há mais
esperança: nem todas as perdas de memória acabam em
demência, nem todas as demências são típicas de Alzheimer,
que é hereditário.
- Existem também as chamadas "pseudo
demências depressivas", nas quais a dramática perda da
memória e de relações com os demais, se devem a uma
depressão profunda
- Nestes casos é essencial ter um
diagnóstico diferencial preciso, elaborado por um psiquiatra
competente, seguir uma terapia anti-depressiva e talvez uma
psicoterapia paralela
- No caso da Cecilia, deprimida
devido à morte da sua mãe, a perda de memória pode ser não
só pelo envelhecimento, mas também pela depressão.
- A depressão profunda altera o
padrão do sono, especialmente a fase "REM" que corresponde a
dormir e sonhar. Esta é uma fase essencial na qual a memória
dos eventos diários se converte num arquivo bioquímico
permanente, necessário como base para a memória a longo
prazo.
- Por esta razão, dormir bem é vital
para a memória e para o bom funcionamento da mente
- Outras causas de deterioração
cerebral não relacionadas com o Alzheimer são a
arterosclerose, resultante de um excesso de colesterol, a
perda de vitamina B12 e o mau funcionamento da tiróide.
QUE OUTROS CONSELHOS PRÁTICOS SE DEVEM SEGUIR, PARA ALÉM DE UMA ANÁLISE ADEQUADA DO "TIPO" DE PERDA DE MEMÓRIA E O SEGUIMENTO DE UMA TERAPIA DE SUBSTITUIÇÃO HORMONAL?
- Não dar ouvidos às tão chamadas
"profecias negativas" que se podem converter em realidade
- Do not condemn yourself to a
"forgetful" destiny
- Não se condene a si mesma a um
destino "esquecível"
- Para envelhecer mentalmente da
melhor maneira possível, há uma regra de ouro que é de viver
com alegria e entusiasmo.
REFERÊNCIAS
Birge S.J. The role of oestrogens deficiency in the aging of central ner vous system in Lobo R.A. (Ed.) "Treatment of postmenopausal women: basic and clinical aspects" new York, Raven Press, 15157, 1994
Bloom, F.E., Kupfer, D. Psychopharmacology, New York: Raven Press, 1995
Graziottin A. Estrogeni, funzioni psichiche e organi di senso, Milano: Società Italiana del Pavimento Pelvico Ed,1999
Plouffe L. Simon JA Androgen Effects on the Central Nervous System in the postmenopausal woman,Seminars in Reproductive Endocrinology, 16,2, 135-143, 1998,
Rubinow, D.R., Schmidt, P.J. Androgens, brain and behaviour. Am. J. Psychiatry, 153, 8, 974-984, 1996,
Sands, R., Studd, J.. Exogenous androgens in postmenopausal women. Am. J. Med., 98 (1A), 76 - 79, Jan. 16, 1995
Copyright © Alessandra Graziottin 2002
|