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Psicologia

autor:
Alessandra Graziottin
Gynaecologist
Última Revisão: 26/02/2003

Sôbre a Menopausa

O que é a Menopausa? O que é a Menopausa?
Symptoms & Signs Sintomas e Sinais
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PERTURBAÇÕES SEXUAIS FEMININAS: VOCÊ TEM UM PROBLEMA?
ADVERTÊNCIA: Para que um diagnóstico adequado resulte numa terapia eficaz, é vital ter uma relação aberta e de confiança com o seu ginecologista! Só estudando uma história clínica completa e realizando os exames necessários, é que ele poderá receitar-lhe uma terapia adequada. A seguinte informação está escrita para ampliar os seus próprios conhecimentos pessoais e tornar mais fácil a comunicação com o seu próprio médico. Não é um substituto para uma relação médico/paciente directa e honesta. Dito isto, desfrute da leitura!


PERDA DE LIBIDO DA PERIMENOPAUSA EM DIANTE


PERDA DE LIBIDO: AS SUAS PALAVRAS
“Nunca imaginei que o desejo sexual pudesse desaparecer tão cedo. Sempre gostei de fazer amor. Agora é como se estivesse congelada, como se subitamente ficasse frígida. Tudo isto começou depois de me terem extraído o útero e os ovários devido a um fibroma e quistos do ovário. Já não tenho nenhuns sentimentos de desejo, ou entusiasmo, nem pelo meu marido nem por ninguém. Parece que foi há centenas de anos que me excitava com um beijo, uma carícia ou um jogo novo. Tenho outros sintomas menopáusicos mas a falta de actividade sexual é o problema que mais me incomoda. Também pelo meu marido, que não merece a minha indiferença. A nossa intimidade sexual foi sempre a alma da nossa satisfação e compromisso matrimonial!" 

Lidia



"Tem de fazer alguma coisa, senhor doutor. Esta menopausa acabou com a nossa vida sexual. Fomos sempre um casal feliz, incluindo no campo da nossa sexualidade. Não temos filhos e talvez por esta razão dedicávamos mais tempo a nós próprios. Estou muito triste por ver a minha esposa sentir-se tão mal, ela já não sente prazer, tornou-se indiferente a qualquer gesto sexual que eu lhe faça. Não estou feliz assim. Não será possível fazer algo para voltarmos a ser como éramos antes?

Tomas



VOCÊ SABIA ISTO?

  • Libido = apetite sexual, desejo e instinto sexual, impulso sexual e interesse; interest; it includes the inclui a conduta física e a motivação para se comportar sexualmente (que não estão necessariamente presentes ao mesmo tempo!)
  • Libido ié uma palavra latina que significa desejo
  • A palavra Libido foi referida pela primeira vez por Sigmund Freud para indicar a energia correspondente ao lado psíquico da conduta sexual

O QUE É EXACTAMENTE A LIBIDO?

  • A Libido é considerada como aquilo que motiva uma pessoa a ter sexo, e que prende a sua atenção nesse objectivo. Esta experiência subjectiva está acompanhada por, e consiste parcialmente de, várias alterações psicológicas, muitas das quais em preparação do comportamento sexual. Estas são melhor descritas como "excitação"

"O desejo sexual é normalmente um estado mental activado e insatisfeito de intensidade variável criado por estímulos externos - via de modalidades sensoriais - ou estímulos internos - fantasia, memória, processo mental - que induzem um sentimento de necessidade ou de desejo de participar numa actividade sexual (usualmente com o objectivo do desejo) para satisfazer a necessidade"

Leituras recomendadas:
Bancroft, J. Sexual desire and the brain. Sex. Marital Ther. 1988,3,1,11-27

Levine, S.B. An essay on the nature of sexual desire. J. Sex. Mar. Ther. 1984, 10, 2, 83-96

Levin, R.J. Human Male Sexuality: appetite and arousal, desire and drive. In Legg, C. and Boott, D. Human appetite: neural and behavioural bases. New York and London, Oxford University Press, 1994, pag. 127-16

Graziottin A. Libido, Maturitas 34, Suppl. 1-S9-S16, 2000

Basson, The female sexual response: a different model: J Sex Mar. Ther 26:51-65, 2000

IMPORTANTE:

  • Libido ou desejo sexual - é considerado diferente da excitação sexual.
  • Desejo sexual é uma atitude dirigida a um objectivo, enquanto que a excitação sexual é um estado com sentimentos específicos:
  • mental "excitação subjectiva", ex. Quando você se sente "quente"
  • periférica no genital, quando você se sente morna devido ao facto de a sua pele estar morna, quando a sua boca está húmida, quando os seus mamilos estão erectos, etc.
  • genital, quando você sente um aumento na congestão e lubrificação vaginal, um formigueiro no clítoris, etc.
  • Pode haver excitação sexual sem desejo sexual, e desejo sexual sem excitação.

O QUE DIZEM OS PSICÓLOGOS ACERCA DA LIBIDO?

  • Os processos psicológicos têm um papel importante na libido humana.
  • Aprendemos a sentir um comportamento sexual em certos momentos e com certas situações

O meu humor pode afectar a minha libido?

Sim. Num estado depressivo é menos provável que interpretemos experiências em termos sexuais agradáveis. Apesar de condições externas favoráveis, ex. o talento de um parceiro carinhoso e complacente, a depressão reduz a probabilidade de uma acção sexual e de prazer

O QUE DIZEM OS BIÓLOGOS ACERCA DA LIBIDO?
  • Nos últimos anos, o reino da libido evoluiu para incluir conhecimentos mais profundos das suas raízes biológicas e da sua vulnerabilidade a factores pessoais e a agentes externos
  • Do ponto de vista dos biólogos, este apetite sexual pode ser dividido em dois: "propioceptividade" e "receptividade".
  • A propioceptividade refere-se à complacência para iniciar um contacto sexual ou uma estimulação sexual.
  • Receptividade descreve a preparação de um indivíduo para aceitar os avanços sexuais de outro.

Levine, S.B. An essay on the nature of sexual desire. J. Sex. Mar. Ther. 1984, 10, 2, 83-96

O QUE ACONTECE À LIBIDO QUANDO INICIA A MENOPAUSA?
  • Na espécie humana, a libido tem muitas raízes, com um complexo jogo entre factores biológicos, motivacionais e relacionais, onde todos podem ter um papel de iniciadores ou de inibidores.
  • A menopausa pode representar um ponto crítico para a libido, uma vez que os factores mencionados anteriormente podem todos sofrer alterações profundas

Quais são as motivações para ter relações sexuais?
  • Reprodução - esta é a meta biológica primária
  • Sexo "recreativo" - o propósito do prazer
  • Sexo "instrumental" - como uma forma de obter vantagens. As motivações são diferentes do prazer e/ou procriação.

PORQUE É QUE O DESEJO SEXUAL (EX. LIBIDO) DIMINUI OU ATÉ DESAPARECE COMPLETAMENTE EM MUITAS MULHERES APÓS A MENOPAUSA?
  • Os ovários produzem menos hormonas que " alimentam" o desejo sexual (alterações nas funções sexuais corporais).
  • Não só produz alterações no corpo, como também a capacidade de resposta a sensações estimulantes de prazer e "jogos amorosos" (alterações na identidade sexual da mulher e a receptividade a sinais sexuais).
  • O casal atravessa uma fase significativa de mudanças que nem sempre são fáceis de aceitar (mudanças na relação do casal).

PORQUE SÃO TÃO IMPORTANTES AS HORMONAS PARA A FUNÇÃO E DESEJO SEXUAL FEMININO?
  • As hormonas femininas, sobretudo o estrogéneo, abastece o desejo físico na mulher e dá-lhe o sentimento interno de feminilidade. Consequentemente, os estrogéneos modulam a aparência e mantimento de bem-estar e a beleza dos seios, a suavidade da pele, para além de nutrirem todos os componentes da saúde da pele, da aparência dos órgãos genitais e ainda das menstruações.

  • Os estrogéneos são o factor que permite a acção do Péptido Intestinal Vasoactivo, um neurotransmissor que traduz a actividade sexual em lubrificação vaginal. A ausência de estrogéneos pode por isso provocar a secura vaginal e dor (dispareunia) que podem inibir a libido.

  • Os estrogéneos cooperam com os órgãos dos sentidos - incluindo a pele - que são os receptores principais para os estímulos sexuais externos. Os órgãos dos sentidos transmitem informação básica que, juntamente com as mensagens afectivas e emocionais, contribuem para a estrutura da identidade sexual e da auto-imagem, tão importante para a percepção pessoal de ser um "objecto de desejo"

  • O pico da produção de androgéneos na ovulação é vital, juntamente com os estrogéneos, para determinar o apetite da conduta sexual.

  • Os androgéneos dão à mulher energia vital e positividade. Uma falta de androgéneos pode provocar não só a perda do pelo púbico, a redução da massa muscular e sua força, como também uma mudança desagradável da forma do corpo (potencialmente deteriorando a identidade sexual feminina), com uma acumulação de gordura na cintura e no estômago.

  • Os androgéneos têm também um efeito positivo tanto no cérebro - aumentando as fantasias sexuais e os sonhos eróticos - como no bem-estar geral dos órgãos genitais femininos externos. Juntamente com os estrogéneos facilita a lubrificação - fazendo com que a penetração dê mais prazer - e secundariamente mantendo a libido devido à memória de experiências prévias de prazer.

Graziottin A. Libido,  Maturitas 34, Suppl. 1-S9-S16, 2000

TAL COMO A PELE, QUE OUTROS ÓRGÃOS DOS SENTIDOS SÃO AFECTADOS PELAS HORMONAS?
  • Smell Odor. A quimiorecepção é a habilidade de receber mensagens químicas do meio ambiente.
    • Olfacto (ex. cheirar) é o sentido mais refinado baseado na quimiorecepção; o outro é o paladar. Depende de hormonas, e como tal de alterações sobre o ciclo dos ovários, com um aumento da sensibilidade a nível de olfacto durante a ovulação.
    • A reduction of the sense of smell alters responsiveness to feromones, i.e. chemical messages emitted by animals of the same species.
    • Uma redução no sentido do olfacto altera a resposta às feromonas, ex. mensagens químicas emitidas por animais da mesma espécie.
    • A atracção sexual é uma das funções principais moduladas pelas feromonas inclusive nos seres humanos

    • Deste modo, uma redução na produção de feromonas (substâncias de atracção química) que contribuem para a "essência de mulher" típica da idade fértil, pode ser responsável tanto pela redução de auto-percepção como um objecto de desejo sexual como pela redução de atracção pelo companheiro.
  • Paladar. Receptores gustativos, localizados na língua, são também modulados por hormonas sexuais. Podem identificar as feromonas.
    • Isto explica o facto de se você gosta de cheirar a pele do seu parceiro, normalmente deseja também provar os seus beijos (dependendo da higiene pessoal, é claro!). Contrariamente, se já não gosta do cheiro dele/a, acontece que detestaria também provar os seus beijos.
    • O amor, tal como a atracção sexual ou a aversão, tem as suas raízes em cada sinal corporal "arcaico", primitivo, todos mantidos por hormonas sexuais!
    • Porquê? Devido ao facto dos receptores das hormonas sexuais estarem distribuídos por todos os tecidos femininos, incluindo os órgãos dos sentidos, além do cérebro.
    • As hormonas sexuais são na realidade uma linfa que nutre todo o corpo feminino. Simplificando, se compararmos uma hormona com uma chave, os receptores são cadeados. Quando interactuam, toda a maquinaria celular entra em funcionamento, activando assim todos os processos e funções celulares reparadores e proliferativos.
    • O paladar é outro factor emocional e biológico chave na parte emocional da conduta sexual, especialmente nas mulheres.
    • O aumento da secreção salivar durante o desejo sexual e excitação é um factor forte que dá indicação do tipo de ligação sexual.
    • A secura oral, frequente na menopausa, pode ser um factor na modulação biológica da libido. Reportou-se em cerca de 45% de mulheres pósmenopáusicas sãs, mais de cerca de 65% delas com outros medicamentos, diferentes da terapia de substituição hormonal

  • Tacto.Uma pele altamente comunicativa sexualmente depende de uma mistura de bons genes, de uma boa impregnação endócrina, de uma boa produção e recepção de feromonas, assim como de uma excelente actividade cerebral no processamento da informação periférica desde os órgãos dos sentidos que se intensificam com estímulos emocionais e sexuais internos.
    • O amor, assim como a libido, é o maior factor de união de um casal para se unir através do tacto.
    • A perda de hormonas sexuais priva a pele de cerca de 2% do colágeno total por ano, até 15 anos depois da menopausa: isto deve-se ao facto das rugas aumentarem drasticamente depois da menopausa!
    • Esta perda também diminui a produção das glândulas sebáceas em cerca de 38%: daí a pele se tornar seca. E daí igualmente a razão pela qual a sua pele continua seca apesar de estar hidratada com cremes. A única solução para a hidratar a sua pele é tomando uma dose bem doseada e baixa de TSH!
    • O melhor que pode fazer para manter uma pele jovem, sedosa e sexualmente mais atractiva é: 1) ter um estilo de vida saudável (não fumar, comer muitas frutas e legumes, exercício físico regular, não apanhar muito sol);
      2) ter um bom cuidado dermatológico da pele;
      3) nutri-la a partir de dentro com uma TSH individualizada.

  • Visão.35% das mulheres pósmenopáusicas queixam-se de alterações oftalmológicas devido à falta de estrogéneos. A maioria melhora com a TSH.
    É possível que todas estas alterações discretas pósmenopáusicas nos órgãos dos sentidos possam contribuir para uma deterioração da libido com a idade.

Graziottin, A., Sexuality and the Menopause, in Studd J(ed) The Management of the Menopause-Annual Review, London, Parthenon Publishing, 1998, 49-57

Graziottin,A., Estrogeni, Funzioni psichiche e organi di senso, Società italiana del pavimento pelvico ed, Milano 1999

Brincat M. The skin at the menopause Parthenon Publishing, London, 2001

HÁ OUTROS FACTORES QUE POSSAM PROVOCAR UMA PERDA SECUNDÁRIA DA LIBIDO?
SIM:

a) Físicos:
  • Doenças em curso
  • Medicamentos
  • Drogas
  • Tabagismo
  • Álcool

b) Psicossomáticos:
  • Depressão
  • Ansiedade
  • Stress crónico, seja por problemas familiares ou de trabalho

c) Psico-sexuais:
  • Desordens da excitação
  • Dificuldades com o orgasmo
  • Insatisfação sexual (tanto física como emocional)

d) Relacionadas com o parceiro:
  • Problemas físicos e/ou sexuais do casal
  • Conflitos de casal, frustrações, decepções

RESUMINDO, como se disse anteriormente, deve-se fazer uma avaliação adequada de todos os factores contribuintes de modo a obter um diagnóstico completo e para que se possa fazer um tratamento adequado!

Consequentemente, a sexualidade feminina é MULTI-FACTORIAL. Dependendo dos seguintes factores:
  • biológico
  • psico-sexuais
  • factores dependentes do contexto

É também MULTI-SISTÉMICA: ex. requer de uma função apropriada e integrada de:

  • hormonas
  • nervos
  • nerves
  • músculos
  • sistema imunitário, etc.

Por último, demonstra uma grande variabilidade de acordo com as mudanças de contexto e experiências de vida; pense apenas no psicológico, ex. normal, alterações da conduta sexual e experiências através da gravidez, parto, problemas familiares, menopausa...

QUE PODEMOS FAZER PARA MELHORAR AS PERTURBAÇÕES DA LIBIDO LOGO DESDE O INICIO DA MENOPAUSA?
  • Iniciar uma Terapia de Substituição Hormonal (TSH) apropriada e bem doseada que actuará sobre as bases biológicas da conduta sexual logo após a menopausa. Requisitos:
    • apenas estrogéneos se a mulher não tiver útero mas tiver os ovários;
    • estrogéneos e progestinas, se ainda tiver ambos o útero e os ovários;

  • Os androgéneos devem ser considerados no caso de ter o chamado "Sindroma de Deficiência de Androgéneos Feminino". Na verdade os androgéneos parecem ser a hormona mais significativa para a sexualidade feminina. A terapia de substituição androgénica teria três acções:
    • Aumentar a susceptibilidade de estimulação psico-sexual, contribuindo para o "estado mental activado sexualmente" típico de uma boa libido.
    • Aumentar a sensibilidade dos genitais externos.
    • Aumentar a intensidade da gratificação sexual.

Um tratamento apropriado deve ser sempre controlado pelo seu médico em seguida de uma avaliação clínica adequada dos factores biológicos, psico-sexuais e contextuais!


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PERTURBAÇÕES DA EXCITAÇÃO SEXUAL

As perturbações da excitação sexual indicam uma incapacidade recorrente ou persistente para alcançar ou manter uma excitação sexual suficiente, que causa stress pessoal, que se pode exprimir como uma perda da excitação subjectiva, ou resposta genital (lubrificação/inchaço) ou outras respostas somáticas.

A definição indica que na perspectiva subjectiva de uma mulher de uma excitação inadequada pode ser a queixa principal, se lhe causa stress pessoal. Ao mesmo tempo, e ao contrário dos homens que estão mais focados na reacção genital que leva à erecção, as mulheres podem sofrer de uma inadequada:

  • excitação central, quando não se sentem excitadas mental ou subjectivamente
  • falta de excitação genital-periférica, quando dizem que a pele permanece fria, os mamilos sem erecção e sem resposta, a boca se mantém pouco lubrificada ou seca
  • excitação genital, quando a vagina está seca, não se congestiona, e os genitais externos não têm nenhuma congestão ou inchaço

Quantas mulheres têm perturbações da excitação?
  • As perturbações da excitação estão reportadas em cerca de 19-20% das mulheres segundo estudos epidemiológicos. Estes valores podem aumentar para 39-50% em mulheres pósmenopáusicas sexualmente activas.
  • A secura vaginal está a ser reportada como uma queixa específica à medida que aumentam os anos de menopausa, principalmente em mulheres magras que não têm a contribuição endócrina da conversão de androgéneos em estrogéneos do tecido adiposo, e naquelas que têm poucas relações sexuais. Não há dados reportados da prevalência de subtipos específicos de desordens da excitação.
  • A diminuição de secreção de saliva durante a excitação e intimidade oral só pode ser suposta por estudos que reportam que até 45% das mulheres após a menopausa referem algum grau de secura da boca, podendo elevar-se até 65% se se tomam algumas medicações, diferentes da TSH


O que activa a excitação numa mulher?
A excitação mental pode ser activada por diversas vias:
  • Biologicamente por androgéneos, que activam a cascata de eventos fisiológicos que provocam as respostas físicas de se sentir "quente", lubrificada e congestionada;
  • Psicologicamente por forças motivadoras como "necessidades de intimidade" , nas que a maneira de se exprimir indica todas as necessidades afectivas de amor, ternura, atenção e compromissos que a mulher tenha.

O que se passa no corpo feminino quando se inicia a excitação?
  • A excitação mental pode activar tanto a excitação periférica não-genital como a genital.
  • Também é possível que a estimulação física, com ou sem jogo genital, e a resposta a sinais sexuais, possa mais adiante aumentar tanto a excitação mental como a genital..
  • Numa excitação sexual com êxito, a maioria das mulheres produzem um aumento na quantidade de transudado vaginal, o qual contribui para a lubrificação vaginal..
  • Esta produção de transudado acontece devido aos vasos sanguíneos que estão no leito vascular e dilatam devido à libertação do neurotransmissor PIV (Péptido Intestinal Vasoactivo), o neurotransmissor mais potente, que traduz uma actividade sexual em lubrificação vaginal.
  • Acredita-se que os estrogéneos são poderosos "factores permissivos" para o PIV.

Como é que muda a excitação após a menopausa?
  • A redução de lubrificação vaginal é uma das queixas mais comuns da mulher pósmenopáusica.
  • Sarrel notou que quando a concentração de estradiol plasmático estava abaixo de 50 pg/ml (o nível normal em idade fértil é 100-200 pg/ml) havia secura vaginal.
  • Laan e Lunsen, no entanto, interpretaram o seu estudo em mulheres pósmenopáusicas excitadas sexualmente em termos de estimulação erótica inadequada (e desordens da excitação pré-existentes) melhor do que uma disfunção vasculogénica pósmenopáusica.

O que se passa na vagina após a menopausa?
  • Estudos fisiológicos mostram que, após a menopausa: há um aumento no pH vaginal de 3,5-4,5 a 5,0-5,4, devido a uma diminuição da produção de glicógeno e do metabolismo do ácido láctico;
  • Uma redução em média de 50% das secreções vaginais;

Quando é que uma mulher nota que há problemas de excitação?
  • Alterações na quantidade de secreções que produzem a sensação de "secura", percebe-se subjectivamente quatro ou cinco anos após a menopausa.
  • Após um mês de estrogéneos conjugados (seja 0,625 ou 1,25 / dia oral) o fluxo sanguíneo aumenta rapidamente, com redução do pH e um aumento da secreção vaginal.
  • O tratamento tópico com pequenos óvulos vaginais de apenas 25 microgramas de 17-beta estradiol demonstraram ser tão efectivas e bem toleradas como o creme vaginal com 1,25 mg de estrogéneos equinos conjugados para melhorar os sintomas de vaginite atrófica, incluindo secura e dificuldades de excitação.

QUE PERGUNTAS É QUE O GINECOLOGISTA LHE FARÁ PARA PODER FAZER O DIAGNÓSTICO?
Devido a uma frequente comorbilidade e às muitas etiologias comuns nas Perturbações Sexuais Femininas, muitas perguntas podem sobrepor-se com as perguntas feitas anteriormente para o Desejo Sexual Hipoactivo. As seguintes perguntas concentram-se especialmente nas perturbações de excitação durante a menopausa.

1)Quando é que reparou que tinha mais dificuldades em excitar-se? Já tinha sentido este problema anteriormente ("em toda a sua vida")? Ou trata-se de uma nova experiência, que se terá agravado após a menopausa ("adquirida")?

A Um problema de toda a vida prende-se normalmente com assuntos psico-sexuais, enquanto que um problema que apareceu ou que se agravou com a menopausa pode ter uma etiologia biológica na perda de hormonas devido à menopausa.

2) É generalizado, ou só tem este problema com o seu parceiro habitual ou em situações especiais (situacional)?

Como já foi referido, os temas generalizados apontam mais para factores pessoais - biológicos e/ou psicodinâmicos - enquanto que os situacionais indicam uma etiologia interpessoal mais provável. No último caso, problemas na dinâmica do casal e/ou problemas do casal podem estar na origem do problema.

3)Sente excitação mental facilmente, ou sente-se "neutra" e necessita que o seu parceiro tome a iniciativa para começar a ficar "quente"? Quando começa a sentir-se excitada, sente que todo o seu corpo responde, ou que de alguma forma algo está "bloqueado" nos seus genitais?

Uma resposta fraca a nível genital pode sugerir factores vasculares (fumar muito, hipercolesterolemia, arterosclerose) e/ou involução atrófica genital grave devido a um período alargado sem hormonas sexuais. Pode reportar-se mais claramente em mulheres que reassumem a sua actividade sexual após anos de abstinência (tal como pode ocorrer com novas relações em mulheres solteiras, viúvas, separadas ou divorciadas).

4) Sofre de secura oral? Em caso afirmativo, tem notado que não se altera quando beija o seu parceiro? Isto pode indicar uma alteração da excitação na periferia genital, sobreposta a uma inibição das glândulas salivares, secundaria a um hipoestrogenismo de longa duração.



5)Costuma estar lubrificada durante o preâmbulo e a lubrificação desaparece subitamente quando inicia o coito?

Isto pode sugerir não só uma reacção fóbica ao coito (em comum com o vaginismo) como também a aparência de dor de diferente etiologia (ver dispareunia). A dor é o inibidor reflexo mais forte da excitação em mulheres não masoquistas.

O QUE É QUE O GINECOLOGISTA DEVE PROCURAR?

No caso de queixas de perturbações da excitação, o médico deve analisar:
a)o perfil hormonal;
b)a saúde pélvica e geral, concentrando-se no BEM-ESTAR do pavimento pélvico: vagina, clítoris, vulva, tecido conectivo e muscular, procurando condições hipotónicas ou hipertónicas do pavimento pélvico;
c)factores biológicos que causem dor pélvica e/ou do intróito ( ver dispareunia);
d)factores vasculares que podem dificultar a resposta genital à excitação (fumar, hipercolesterolemia, arterosclerose);
e)estado matrimonial, problemas relacionados com o casal (saúde geral e sexual)
f)factores psicodinâmicos, quer sejam pessoais ou interpessoais
g)a qualidade do preâmbulo sexual, motivação para a intimidade e receptividade física e mental a um sinal sexual

  • Se os problemas de excitação parecem ser adquiridos e generalizados e que se agravam com a menopausa, a TSH pode ser o tratamento de eleição.
  • Os estrogéneos, para a lubrificação e congestão vaginal, e os androgéneos, para a resposta vestibular e clitoridiana, podem oferecer uma melhoria maior uma vez que actuam em diferentes dimensões do circuito sexual, melhorando a conduta sexual e de excitação (central, periférica não genital e genital) favorecendo assim também a resposta orgásmica.
  • Às vezes o tratamento sistémico requer o complemento de uma dose tópica, para optimizar a resposta genital.
  • O tratamento estrogénico tópico só pode ser suficiente para restaurar uma lubrificação vaginal, prevendo que outros factores inibidores interpessoais não estão em jogo.
  • Tratamento androgénico tópico pode melhorar a excitação do clítoris (congestão e ingurgimento) embora não haja estudos prospectivos reportados, ou de que o autor tenha conhecimento.
  • A reabilitação do pavimento pélvico é necessária para facilitar a contracção reflexa em resposta à secura que causa dor e inibição da lubrificação quando iniciou o coito.
  • Também pode ser útil para melhorar o tonus do levantador do ânus, aumentando assim a sensibilidade vaginal e o prazer, se a lubrificação e o bem-estar vaginal foram restaurados hormonalmente.
  • Medicamentos não hormonais, tais como o Sildenafil, estão a ser considerados em mulheres que se queixam de desordens da excitação e que não podem usar hormonas (por ex., devido a um cancro hormono-dependente) ou por não o desejarem. Os resultados preliminares são prometedores quando é feito o diagnóstico de uma desordem da excitação feminina pura (ou dominante).

Referências
Bancroft J. Graham C. McCord C Conceptualizing Women’s Sexual problems JSMT 27:95-103, 2001

Barlow DH, Cardozo L, Francis RM et al  Urogenital ageing and its effect on sexual health in older British women  Br J Obstet Gynaecol 104: 87-91; 1997

Basson R. Are pur definitions of women’s desire, Arousal and sexual pain disorders too broad, and our definition or orgasmic disorder  too narrow? JSMT 28:289-300, 2002

Basson R A model of women’s sexual arousal JSMT 28, 1-10, 2002

Caillouette JC Sharp CE. Zimmermann GJ Roy S Vaginal pH as a marker for bacterial pathogens  and menopausal status Am.J.Obstet.Gynecol. 176:1270-1277,1997

Graziottin A. Sexual function in women with gynecologic cancer: a review It.J.Gynec.Obstet.2:61-68, 2001

Levin RJ  The mechanism of human female sexual arousal  Ann Rev Sex Res 3: 1-48;1992

Levin RJ Measuring the menopausal genital changes- a critical account of laboratory procedures past and for the future in Graziottin A (ed) Menopause and Sexuality ,Menopause Review, IV (4):49-57,1999

Goldstein I, Berman JR  Vasculogenic female sexual dysfunction: vaginal engorgement and clitoral erectile insufficiency syndromes Int J Impotence Res 10: S84-S90; 1998

Hagedorn M. Buxmeyer B. Schmitt Y Bauknecht T. Survey of lichen sclerosus in women and men Arch. Gynecol. Obstet.266:86-91,2002

Notelovitz M. A practical approach to postmenopausal hormone therapy Ob/Gyn, Special ed. MacMahon>, New York, April 2002

Tarcan T. Park.K Goldstein I Maio G Fassina A. Krane RJ histomorphometric analysis of age related structural changes in human clitoral cavernosal tissue J.Urol 161:940-4,1999

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PERTURBAÇÕES DO ORGASMO

As perturbações do orgasmo definem-se como uma dificulta de persistente ou recorrente, um atraso ou uma ausência em ter um orgasmo após suficiente estimulação sexual e excitação, o qual causa stress pessoal.

Qual é a frequência das perturbações orgásmicas?
  • A perturbação do orgasmo foi relatado numa percentagem de 25% de mulheres em idade fértil num estudo epidemiológico.
  • Após a menopausa, cerca de 20% das mulheres que consultam clínicas de menopausa dizem que "o seu clítoris está morto", de acordo com Sarrel e Whitehead e ainda mais - se escutarmos realmente bem estas pacientes, o que informam é que têm uma dificuldade que vai aumentando e um atraso em atingir o orgasmo e uma intensidade progressiva no seu abafamento do orgasmo.
  • Na publicação mais recente baseada em mulheres pósmenopáusicas, a dificuldade em atingir um orgasmo foi reportada como "sempre" em 15.0%, "algumas vezes" 22.2%, "raramente" 37.8%. Apenas 25% disseram que nunca haviam tido dificuldades com o orgasmo.

O que é que normalmente activa um orgasmo?
  • O orgasmo é um reflexo motor sensorial que pode ser activado por diferentes estímulos, tanto físicos como mentais.
  • Não requer estimulação genital directa. Orgasmo mental, que se demonstrou em condições de laboratório (por um aumento do umbral da dor quando o orgasmo era referido como sendo mentalmente observado), requer uma actividade sexual óptima e uma excitação mental intensa, ambas biológicas e motivacionais.
  • O orgasmo genital requer a integridade das estruturas cavernosas que ao engrossarem e estarem estimuladas adequadamente, transmitem um estímulo de prazer sensorial ao centro medular e ao cérebro.
  • Um reflexo medular curto pode activar uma resposta muscular, que se caracteriza por uma contracção involuntária (entre 3 a 8 vezes, uma só vez ou em sequências repetitivas) do levantador do ânus, ex. músculos perivaginais. Usualmente isto é acompanhado por uma sensação variável de prazer
  • O reflexo orgásmico pode ser facilitado ou bloqueado, respectivamente, por fibras corticomedulares que podem transmitir tanto estímulos excitantes (quando a excitação central é máxima) ou inibi-los quando a excitação é fraca, ou quando a ansiedade de não se deixar levar pelo prazer e activa um fluxo adrenérgico que interrompe a resposta excitante. As fibras inibidoras são as mais serotoninérgicas: o que explica os efeitos inibidores dos SSRI no orgasmo, tanto nos homens como nas mulheres.
  • Uma correlação biológica foi sugerida recentemente para a queixa do agravamento na resposta clitoridiana com a idade, principalmente após a menopausa. O tecido eréctil cavernoso do clítoris é formado por tecido conectivo e músculo liso. Tarcan et al. utilizaram a análise das imagens histomorfométricas assistida por computador para determinar alterações associadas com a idade, no conteúdo cavernoso do clítoris, de tecido conjuntivo e músculo liso.
  • Este estudo revela um forte vínculo entre o aumento da idade e a diminuição das fibras de músculo liso cavernoso do clítoris, que pode ser até agora fisiopatologia indeterminada numa disfunção sexual clitoridiana associada à idade.
  • Também indica que o envelhecimento vulvar é um processo "completo", que envolve todas as estruturas genitais, cutâneas e mucosas, sub mucosas, cavernosas, vascular, muscular e neurológicas, prejudicando assim o complexo da resposta sexual total.

QUE PERGUNTAS LHE FARÁ O SEU MÉDICO PARA APURAR O DIAGNÓSTICO?

Quando começou a notar dificuldades com o orgasmo? Teve sempre dificuldades orgásmicas recorrentes ou persistentes (toda a vida), ou notou que apareceram ou pioraram depois da menopausa (adquiridas)?
  • O envelhecimento vulvar pósmenopáusico pode agravar a fase congestiva da resposta orgásmica, mais ainda se a mulher tem um liquen escleroso, ou seja, um envelhecimento acelerado e distrofia da vulva.
  • O tratamento androgénico tópico, aprovado para o liquen escleroso, está anedóticamente reportado para melhorar a sensação física e o prazer clitoridiano após 3 a 6 meses de tratamento. Estudos não controlados concentrados no efeito do tratamento androgénico tópico sobre a sexualidade, estão reportados segundo conhecimentos do autor.

É generalizado (em todas as situações e independente do casal) ou é situacional?
  • Se é generalizado, sugere mais um componente biológico, principalmente se a conduta sexual se mantém.
  • O uso de anti-depressivos (SSRI e clomipramina principalmente) deve ser investigado, uma vez que o seu uso é um dos mais frequentes e importantes como causa de dificuldades orgásmicas adquiridas, generalizadas e biologicamente baseadas (e reversíveis) nas mulheres (assim como nos homens)

O que é, em sua opinião, a causa da sua dificuldade com o orgasmo?
Esta é uma pergunta útil para diagnosticar outros factores que interferem. Por exemplo:
  • Agravamento da incontinência, principalmente a de urgência, pode bloquear o orgasmo por temor a uma saída de urina ao atingir o orgasmo;
  • Dor; depressão;
  • Preâmbulo muito rápido; perda de comportamentos sexuais de excitação; insatisfação com a relação; dificuldades sexuais e/ou de saúde do casal
  • abuso de álcool;
Sente uma perda selectiva na sua sensibilidade clitoridiana e na capacidade de prazer e/ou uma redução de prazer coital?
  • Se a queixa se focaliza no clítoris, e há retrocesso ou distrofia, o tratamento com androgéneos tópicos pode ser útil.
  • Se é coital, devem ter-se em conta dois pontos:

a)tem uma sensação coital diminuída?
  • Este último pode sugerir um agravamento de uma hipotonia dos músculos perivaginais. A perda dos estrogéneos devido à menopausa pode causar não só uma perda gradual do tecido conectivo pélvico após 10 anos de menopausa, como também uma perda do componente muscular, afectando assim a tonicidade muscular.
  • Assim como o prazer vaginal e a sensibilidade são também fisicamente dependentes do tonus dos músculos perivaginais, esta diminuição pode danificar selectivamente o componente coital da experiência orgásmica.
  • A TSH, contribuindo para manter um melhor trofismo conectivo, muscular e vascular, pode indirectamente ajudar na manutenção de uma boa resposta orgásmica.
  • A bioretroalimentação vaginal electromiográfica e/ou a reabilitação fisioterapeútica dos músculos do pavimento pélvico, pode melhorar o tonus, força e a actividade motora dos músculos perivaginais, melhorando assim tanto a sensibilidade como a incontinência de esforço, frequentemente associadas a condições do pavimento pélvico hipotónico.

b)Sente dores durante a relação?
A dor de qualquer origem pode causar um bloqueio reflexo da excitação e da resposta orgásmica.

COMO É QUE O MÉDICO PODE CONFIRMAR O DIAGNÓSTICO?

O médico, especializado em medicina sexual, quando trabalha com mulheres perimenopáusicas, deve analisar os seguintes aspectos, de acordo com o quadro que surja da história clínica:
1)o balanço hormonal;
2)sinais e sintomas de distrofia vulvar e, especificamente, o envelhecimento do clítoris e da vulva; as piores consequências dos rituais de mutilações genitais também devem ser avaliadas;
3)sinais e sintomas de incontinência, pavimento pélvico hiper o hipotónico;
4)perturbações orgásmicas iatrogénicas, quando se receitam drogas potencialmente inibidoras do orgasmo, como os anti depressivos;
5)problemas matrimoniais
6)problemas sexuais ou de saúde do casal, como deficiências erécteis ou ejaculação precoce;
7)problemas psicológicos, depressão, ansiedade;
8)doenças neurológicas

EXISTE ALGUM TRATAMENTO PARA AS PERTURBAÇÕES DO ORGASMO DA PERI E PÓSMENOPAUSA?
Sim, quando o diagnóstico é seguro e os problemas biológicos, psico-sexuais e/ou do casal estão bem identificados e vistos numa perspectiva de um quadro compreensivo.

Referências
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Dennerstein, L., Lehert P. Burger, H. Garamszegi C. Dudley, E.C ., in Studd J. (ed) The management of the menopause. The millennium review Menopause and Sexual functioning Parthenon Publishing, London, 203-210,2000

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Shifren, J.L., Glenn, D., Brauntsein, M.D., et Al Transdermal testosterone treatment in women with impaired sexual function after oophorectomy NEJM 2000;343(10): 682-8

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RELAÇÃO SEXUAL DOLOROSA DESDE A PERIMENOPAUSA EM DIANTE


  • Cerca de 30-33% das mulheres perimenopáusicas queixam-se em graus diferentes de dores durante a relação sexual
  • A dor pode ser devido tanto a factores físicos como psicológicos
  • Todos os factores causadores devem ser considerados ao fazer-se o diagnóstico antes de escolher uma terapia efectiva
  • Com uma terapia adequada, as taxas de cura são muito altas


A DOR COITAL NAS SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS:

 “Uma dor que aumenta mais e mais, senhor doutor. Tento aguentar o melhor possível. Recordo-me de dizer a mim própria que esta dor espantosa iria terminar. Mas não foi o caso. Estava a suar e a tiritar. Sentia que me estavam a torturar, estava em tão mau estado, que o meu marido, Juan, teve de parar. Tentámos de novo mais duas vezes: a mesma tragédia. Foi o suficiente. Gradualmente a nossa intimidade física reduziu-se a quase nada, embora nos amemos um ao outro...”

Carla



“O pior de tudo, senhor doutor, é a dor. Embora tente forçar-me a mim própria, estou tão seca, que fiquei com pequenos cortes na vagina. Dão uma sensação de queimadura durante muitos dias, tentei com lubrificantes, mas não servem de muito. Por vezes até cheguei a ter cistite. Não posso continuar assim. O meu companheiro também se sente triste, por não gostar de me ver sofrer..”

Julia



“Tem de fazer alguma coisa, senhor doutor. Esta menopausa deu cabo da nossa intimidade. Fomos sempre um casal feliz, inclusive no campo sexual. Não temos filhos e talvez por esta razão dedicávamos mais tempo a nós próprios. Estou muito triste de ver a minha esposa sentir-se tão mal, ela já não sente prazer, apenas dor. Não estou feliz assim. Não será possível fazer algo para voltarmos a ser como éramos antes? ”

Tomas



QUAIS SÃO AS DEFINIÇÕES MÉDICAS DE DOR DURANTE O COITO?

O Consenso Internacional de Transtornos Sexuais Femininos classifica-as do seguinte modo:
  • Dispareunia: uma dor persistente ou recorrente associada à relação sexual
  • Vaginismo: um espasmo involuntário persistente ou recorrente dos músculos ao redor da vagina, dando lugar a uma penetração ou muito dolorosa ou impossível (ver seguinte)

Basson, R., Bertian, J., Burnett, A.  Graziottin  A. et Al.
Report of the International Consensus Development Conference on  Female Sexual Dysfunction: Definitions and Classifications. J.Urol, March 2000; 163:888-93

PARTE 1 DISPAREUNIA

QUAIS SÃO AS CAUSAS DE DISPAREUNIA, ex. DOR COM AS RELAÇÕES, NA PERIMENOPAUSA?
A dispareunia pode-se observar como:
  • a zona do intróito (dispareunia superficial ou do intróito)
  • na parte média da vagina (dispareunia medio-vaginal)
  • e/ou profunda na pélvis (dispareunia profunda).

Dispareunia medio-vaginal e do intróito, pode ocorrer ou agravar-se da perimenopausa em diante devido às seguintes condições:

  • A uma etiologia hormonal, que é a principal na lista de causas uma vez que a secura vaginal está relacionada com uma diminuição progressiva (na pré-menopausa) ou definitiva (na pós-menopausa) de uma concentração adequada de estrogéneos vaginais.
  • A redução na produção de estrogéneos pode ser gradual, na menopausa normal, ou abrupta, quando os ovários se extraem cirurgicamente (uma cirurgia chamada "ovariectomia"). A radioterapia pélvica e/ou quimioterapia, para o tratamento de diferentes tumores, pode também causar uma menopausa prematura. É importante referir que a concentração de estrogéneos vaginais pode ser insuficiente apesar das menstruações ainda estarem presentes, durante os anos de pré-menopausa.
  • No entanto, as principais hormonas responsáveis pela excitação sexual feminina são os androgéneos, que são as hormonas masculinas, produzidas em pequenas quantidades no corpo feminino, pelos ovários e glândulas suprarenais. A produção de androgéneos é reduzida em mais de 50% quando os ovários são extraídos cirurgicamente. O qual pode causar o chamado " Sindroma de Deficiência de Androgéneos Feminino"

    ____________________________________________
    TAB 1  Sintomas sugestivos do "Sindroma de deficiência de androgéneos feminino"
    • perda de libido
    • dificuldades com a excitação
    • dificuldades de orgasmo clitoridiano
    • perda de energia vital
    • perda do pelo púbico
    • redução da massa muscular
    • mudanças na imagem corporal devido a um aumento de gordura centrípeta
    ____________________________________________
    Modified from Sands R. Studd J. Exogenous androgens in postmenopausal women AmJ.Med.98 (1a):76-79,1995

  • Uma redução na produção destas hormonas devido à menopausa provoca uma drástica redução do desejo sexual, menor lubrificação, quando os estrogéneos estão reduzidos e se diminui a congestão do clítoris, quando os androgéneos estão reduzidos. Dados do Estudo da Vida Média de Yale, indicam que 77% das mulheres menopáusicas reportaram perda de actividade sexual, 58% tiveram secura vaginal e 39% sofriam de dispareunia.


Sarrel PM Sexuality and menopause. Obstet. Gynecol. 75: 26-30, 1990

Sherwin BB Gelfand MM Brender W Androgen enhances sexual motivation in females: a prospective, cross-over study of sex steroid administration in surgical menopause Psychosm.Med. 47:339-51, 1987

A Vaginitis e Vulvitis, podem ser frequentes co-factores de dispareunia adquirida recente, também nos anos perimenopáusicos: podem ser secundárias a:

1) Modificações do "ecossistema" vaginal normal
2) Infecções por micróbios vindos do cólon
3) Infecções por doenças sexualmente transmitidas (DST)
  • Os lactobacilos, são umas bactérias microscópicas, habitantes protectores normais da vagina durante a idade fértil. Estão em perfeita forma e número quando a vagina tem uma quantidade normal de estrogéneos, a qual assegura um pH à volta de 4.
  • Os lactobacilos requerem consequentemente um pH vaginal à volta de 4. Este pH é o grau de acidez da nossa vagina. Normalmente está entre 3.8-4.2.
  • A gardnerella é um micróbio que está normalmente presente no "ecossistema" vaginal, que inclui biliões de bactérias microscópicas que normalmente vivem na nossa vagina. Usualmente a Gardnerella é uma pequena parte, por assim dizer, devido ao facto da sua proliferação estar controlada pelos habitantes normais anteriormente mencionados, chamados lactobacilos.
  • A gardnerella prolifera em pH superiores a 5, quando a vagina está desprovida da maioria dos lactobacilos, devido a uma perda de estrogéneos e consequente aumento do pH. As consequências deste aumento, chamado "vaginosis" são um escape de líquido e irritação da parte do intróito vaginal, favorecendo uma vaginitis.
  • Na pós-menopausa, se a mulher não usa Terapia de Substituição Hormonal (TSH) pelo menos tópica, ex. quando os estrogéneos se aplicam directamente por via tópica na vagina, o pH eleva-se a 5,6,7. O ecossistema normal, que protege a flora bacteriana normal, desaparece.
  • Podem surgir três problemas:
    - A proliferação de bactérias vaginais está usualmente presente como minoria, como a gardnerella, ureaplasma, etc. - Um aumento de vulnerabilidade a Doenças Sexualmente Transmitidas (que podem ser adquiridas em qualquer idade, quando as relações com um novo parceiro não estão protegidas pelo uso de preservativo)
    - Quando não há mais protecção dos lactobacilos, a vagina é facilmente colonizada por aqueles micróbios, provocando uma cistite e vaginitis recorrente.
    - Distrofia Vulvar, por ex. é um envelhecimento dos genitais femininos externos, devido tanto aos efeitos negativos do envelhecimento por si mesmo como a uma perda das hormonas sexuais após a menopausa.

    - Cada vez mais acreditada de ser uma desordem grande com uma redução progressiva de todos os componentes do tecido.

    - Os lábios ficam mais finos, a pele e a mucosa tornam-se mais frágeis e pálidas, devido à redução de vasos sanguíneos; os pelos púbicos ficam brancos e caem.

  • A Distrofia Vulvar deve-se provavelmente a uma vulnerabilidade genética acelerando a perda de receptores hormonais, que diminui os efeitos protectores positivos que as hormonas usualmente têm sobre os componentes vulvares.
  • Está provado que há uma redução dependente da idade de mais de 50% dos componentes do músculo liso cavernoso desde a primeira à sexta década de vida. Esta é a base da tão reportada dificuldade em excitar-se genitalmente ("o meu clítoris está morto") até ao orgasmo, que se torna progressivamente menos intensa e é mais difícil ou impossível de atingir.
  • Factores iatrogénicos, ex. os problemas causados como efeito secundário de medicamentos ou tratamentos cirúrgicos, podem precipitar e/ou agravar a dor durante a relação:
  • Grandes colporrafias ("plastia da vagina quando há um prolapso, ex. uma descida da parede vaginal e/ou do útero) e outras cirurgias pélvicas podem ser responsáveis por um estreitamento anatómico da área do intróito vaginal que pode ser incompatível com a relação.
  • As perguntas acerca da actividade sexual devem fazer-se sempre antes de qualquer tipo de cirurgia pélvica, mesmo em pacientes mais idosas, não se podendo assumir que uma senhora é idosa demais para ter uma vida sexual activa.
  • Diga sempre ao seu médico se é sexualmente activa.
  • Se ele/ela não lho pergunta, deverá dizê-lo você, para que assim ele/ela possa incluir esta informação importante no seu historial médico
  • A radioterapia e/ou cirurgia radical para o cancro do colo do útero podem causar também uma receptividade vaginal reduzida devido a um encurtamento e retracção da vagina.
  • Por último, mas não menos importante, visto que as mulheres pósmenopáusicas e idosas seguem usualmente tratamentos multi-farmacológicos, devem ser considerados os efeitos secundários dos medicamentos sobre a sexualidade que contribuam para a dispareunia através de perturbações da excitação e da libido.

Factores musculares- uma contracção defensiva, que faz com que o pavimento pélvico fique tenso - pode ser relevante quando a persistência da dor causa uma contracção defensiva secundária do levantador do ânus. Isto pode chegar a ser uma causa adicional de dispareunia medio-vaginal e/ou de cistite pós-coital.
A dor é o mais potente inibidor reflexo da excitação perivaginal, aumentando a vulnerabilidade devido a uma perda do factor protector dos estrogéneos, aumentando assim ainda mais o trauma mecânico do coito sem lubrificação.
Perturbações relacionadas com dor indicam uma patologia específica dentro do sistema da dor. Quando há uma dor crónica, que aumenta persistentemente na zona do intróito vaginal, está confirmado que há um aumento das fibras da dor e uma diminuição sistémica do umbral da dor.

Isto explica uma mudança da tão conhecida "dor nociceptiva" quando a dor "simples" indica uma patologia com inflamação dos tecidos, à tão conhecida "dor neuropática" quando a dor é "produzida" e/ou exacerbada dentro do sistema da dor.

Meana M, Binik YM, Khalife S, Cohen D. Dyspareunia: sexual dysfunction or pain syndrome? J Nerv Ment Dis 185(9): 561-9; Sep 1997

Meana M, Binik YM, Khalife S, Cohen DR Biopsychosocial profile of women with dyspareunia Obstet Gynecol 90(4 Pt 1): 583-9; Oct 1997

Bergeron S Khalifé S Pagidas K Meana M Amsel R Binik YM A randomized comaptison of group cognitive-behavioural therapy, surface electromyographic bioffedback and vestibulectomy in the tratment of dyspareunia resulting from VVS Pain 91(3) 297-306,2001

Factores biológicos menos frequentes são as doenças neurológicas, incluindo o sindroma de compressão do nervo pudendo, que causa dispareunia, a qual pode aparecer muitos anos depois de um trauma físico sacro-coxigeo ou de uma cirurgia pélvica; o Sindroma de Sjogren, uma doença auto-imune na qual os anticorpos atacam componentes do sistema glandular exócrino; trauma genital físico e/ou abuso sexual.

Dispareunia profunda (ex. dor profunda na pélvis) pode ser mais frequentemente causada por:
  • Endometriose pélvica. A dispareunia profunda é o sintoma principal, o qual recorre em casos de mulheres com endometriose prévia e TSH cíclica, daí que a TSH combinada, contínua e em doses baixas, deve ser a primeira escolha para evitar os sangramentos e a recorrência da dor.
  • Doença pélvica inflamatória EPI: uma condição em que os micróbios típicos de uma doença sexualmente transmitida ascendem ao útero e às trompas e se disseminam para dentro da pélvis. Antes considerada como uma doença de jovens, actualmente mulheres de todas as idades podem estar expostas a uma EPI quando têm sexo sem protecção com novos parceiros.
  • Varicocelo pélvico(5), está a diagnosticar-se mais frequentemente como causa de dispareunia profunda.
  • Mialgia do levantador do ânus: a dor pélvica profunda pode ser também secundária a uma estimulação de um ponto sensível ao nível do levantador do ânus, quando o músculo está intensamente miálgico (5,21-23).

Graziottin A. Dyspareunia: clinical approach J. Sex Marital Therapy 27: 534-538,2001

Sands R. Stud J. Exogenous Androgens in post-menopausal women AmJ.Med.98(1A):76-79,1995

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Meana M, Binik YM, Khalife S, Cohen D. Dyspareunia: sexual dysfunction or pain syndrome? J Nerv Ment Dis 185(9): 561-9; Sep 1997

Meana M, Binik YM, Khalife S, Cohen DR Biopsychosocial profile of women with dyspareunia Obstet Gynecol 90(4 Pt 1): 583-9; Oct 1997

Bergeron S Khalifé S Pagidas K Meana M Amsel R Binik YM A randomized comaptison of group cognitive-behavioural therapy, surface electromyographic bioffedback and vestibulectomy in the tratment of dyspareunia resulting from VVS Pain 91(3) 297-306,2001

QUE PERGUNTAS DEVE ESPERAR QUE O/A SEU/SUA GINECOLOGISTA LHE FAÇA PARA QUE ELE/ELA POSSA FAZER UM DIAGNÓSTICO EXACTO?

Quando é que reparou que a actividade sexual se estava a tornar dolorosa? Sempre sofreu de dores durante a actividade sexual ou é uma coisa recente "adquirida"?
  • Quando a dispareunia existe desde sempre é usualmente causada por vaginismo e/ou coexistentes, perturbações sexuais femininas de velha data, como baixo libido e/ou dificuldades com a excitação, de etiologia psico-sexual. Por outras palavras, as dificuldades sexuais, incluindo a dor com o coito, que estão presentes desde o princípio da vida sexual, são normalmente causadas por inibições sexuais, falta de educação sexual, frustrações de namoro e de necessidade de amor durante a infância, experiências sexuais precoces negativas, como o maltrato ou abuso. Há apenas uma minoria de casos crónicos em que há um factor biológico como principal causa.
  • A dispareunia crónica pode agravar-se por altura da menopausa devido à perda de hormonas, causando mais dor atingindo uma completa aversão ao sexo.

Se a dor é recente "adquirida", também sofre de secura vaginal durante o coito, e/ou sintomas como de cistite 24 - 72 horas após o coito?
  • Todos estes factores devem ser considerados e podem ser devidos à perda das hormonas, um ecossistema vaginal alterado e a um pavimento pélvico mais rígido (ver o parágrafo das causas da dispareunia).

- Sente sempre dor durante o coito ou apenas em algumas situações?
A qualidade de uma relação, necessidades de intimidade frustradas, conflitos potenciais, áreas de desacordo e/ou a raiva podem contribuir para uma dispareunia situacional. Dennestein et al. no seu estudo de 8 anos sobre mulheres em transição menopáusica, concluíram que os "sentimentos do casal" e "os problemas sexuais e de saúde do casal" eram os indicadores mais fortes de alterações sexuais a partir da menopausa.

Dennerstein L. Lehert P . Burger H.  Garamszegi C. Dudley EC Menoapuse and sexual functioning in Studd J. (ed) The management of the menopause The millennium review, Parthenon Publishing , New York, 203-210, 2000

Se evita o coito, a sua experiência sexual ainda é satisfatória e lhe dá prazer, ou não? Como é o seu comportamento sexual? A excitação é fácil? Geralmente atinge o orgasmo clitoridiano? Nota uma falta de lubrificação quando experimenta a penetração?
Estas perguntas ajudarão a compreender a qualidade da resposta sexual além do coito. A presença de uma resposta sexual disfuncional pode sugerir uma etiologia mista, biológica e psico-sexual.

Qual é a intensidade da dor que sente?
A concentração na intensidade e características da dor, é uma nova forma relativa de abordar a dispareunia. Métodos tradicionais para medir a dor podem ser usados. A diminuição do umbral da dor é um aspecto cada vez mais reconhecido desta patologia.

- Sente dores antes, durante ou depois do coito?
A dor antes do coito sugere uma atitude fóbica face à penetração e/ou a presença de uma vestibulitis vulvar crónica, quando a dor persiste ainda sem novos coitos.

A dor durante o coito é a mais frequentemente relatada. Esta informação, juntamente com "aonde lhe dói?", provou ser a mais predictiva da origem da dor, ex. causa física ou biológica da dor.

A dor após o coito também sugere vestibulitis devido ao agravamento da irritação pós-coital na peri e pósmenopausa.

Aonde dói? A princípio, na metade ou na parte profunda da vagina?
Meana et al. notou que a localização da dor e o seu início durante um coito eram fortes indicadores da presencia e tipo de organicidade.

Com esta informação o ginecologista deverá ser capaz de fazer um diagnóstico diferencial apropriado, ex. de reconhecer a causa(s) que podem contribuir para a dispareunia actual e abordá-las com o tratamento individualizado mais efectivo.

Graziottin A. Dyspareunia. J. Sex Marital Therapy 27: 534-538,2001

Graziottin A. Loss of libido in the post-menopause Menopausal Medicine, 8(1):9-12,2000


MAPA DA DOR GINECOLÓGICA
Durante um exame físico, o seu ginecologista far-lhe-á as perguntas críticas "aonde lhe dói?". Enquanto amável e competente, explorará todas as possíveis origens da dor, o médico será capaz de elaborar um cuidadoso "mapa da dor" baseado na anatomia e na fisiopatologia lógica. A criação deste mapa ajudará a criar uma relação médico-paciente positiva e de confiança, ao mesmo tempo que provará que "a dor não está na sua cabeça!"..

Este tipo de exame pode revelar e/ou confirmar:
  • dor aguda às 5 e 7 (se compararmos a entrada da vagina com sendo um relógio). Isto é uma evidência de vestibulitis.
  • pontos dolorosos, quando a dor se sente com uma suave pressão sobre a inserção dos músculos perivaginais na espinha isquiática, e/ou pontos de disparo que são pontos a partir dos quais a dor se irradia ao tocá-los; Pontos dolorosos podem ser obtidos também em cicatrizes retraídas, e/ou mialgia superficial, ex. músculos perineais dolorosos.
  • Um clítoris doloroso e congestionado em casos de clitoralgia associada.
  • Uma vagina distrófica, seca. Isto é mais comum com a idade, se não estiver com TSH local. O ginecologista deverá medir sempre o pH vaginal, ex. O grau de acidez local, com uma simples fita aplicada na vagina por 10-15". Sem hormonas sexuais o pH sobe, facilitando modificações negativas do ecossistema vaginal que se torna ainda mais vulnerável a infecções banais.
  • Um intróito estreito, ex. entrada da vagina, após uma cirurgia. Retracção, dor, pontos de disparo miofaciais e mucocutâneos que podem afectar o resultado anatómico vaginal, e uma hipertonia defensiva dos músculos do pavimento pélvico são todos co-factores frequentes na dispareunia do intróito ou medio-vaginal após a cirurgia perineal.
  • O espasmo dos músculos peri-vaginais com dor e/ou pontos de disparo na vagina-média. Os pontos de disparo do levantador do ânus podem causar dor pélvica profunda e similar a uma dispareunia profunda.
  • Provocar dor aguda com a exploração profunda bimanual. A dor posterior, quiçá sugestiva de endometriose, na qual a dispareunia profunda pode ser o sintoma principal, recorrendo em casos de TSH cíclica.
  • Dor pélvica profunda, lateral pode ser mais frequente causada por uma Doença Pélvica Inflamatória (EPI), causada por Doenças Sexualmente Transmitidas que infectam o útero, as trompas e se disseminam dentro da pélvis.
  • Dor anterior está mais frequentemente presente quando a dispareunia se associa com urgência e frequência pós-coital.

Graziottin A. Dyspareunia. J. Sex Marital Therapy 27: 534-538,2001

Graziottin A. Loss of libido in the post-menopause Menopausal Medicine, 8(1):9-12,2000


POSSO SER REALMENTE CURADA DE UMA DISPAREUNIA?
SIM, CASO O DIAGNÓSTICO ESTEJA FEITO CORRECTAMENTE, AO ABORDAR TODOS OS FACTORES CONTRIBUINTES POTENCIAIS!!!

Muitas mulheres que têm dispareunia estão geralmente frustradas por não serem capazes de encontrar uma resposta para o seu problema, ao ponto de chegarem a pensar que não existe uma solução. Com demasiada frequência, como já foi dito antes, diz-se que a dor é puramente "psicológica", e como tal não merece uma avaliação clínica.

O que é necessário fazer para curar a dispareunia?

É necessário consultar o ginecologista, que será capaz de:
  • Reconhecer o problema
  • Avaliar a gravidade para assim fazer um prognóstico correcto
  • Diagnosticar todos os factores que podem predispor, precipitar e/ou manter o problema
  • Sugerir uma terapia adequada segundo o caso

Um diagnóstico integrado entre os factores psico-sexuais e médicos é preliminar a um tratamento efectivo.


Consulte sempre o seu médico, que avaliará se existe alguma indicação de um ou mais dos seguintes tratamentos:

  • O tratamento hormonal tópico, é a primeira escolha para reduzir a dor causada por uma excitação genital inadequada, principalmente durante após a menopausa.
    a) Estrogéneos vaginais podem oferecer um alívio rápido quando a dispareunia depende mais da distrofia vaginal. Os estrogéneos tópicos podem estar na primeira linha de tratamento em mulheres que não podem, ou não desejam, uma TSH sistémica (terapia de substituição hormonal). Devem ser receitados ainda na pré-menopausa ou durante a TSH sistémica quando há sinais ou sintomas de distrofia vaginal. Os óvulos de 17 beta estradiol vaginal podem melhorar significativamente a vaginite atrófica e sintomas relacionados com um melhor perfil de adesão que o creme vaginal de estrogéneos equinos conjugados.

    Rioux JE.Devlin MC Gelfand MM et Al 17 beta estradiol vaginal tablets versus conjugated equine estrogen vaginal cream to relieve menoapusal atrophic vaginitis Menopause 7 (3) 156-61, 2000

    b)Pó de propionato de testosterona em vaselina é para ser aplicado nos genitais externos, diariamente ou dia sim, dia não, em muito pequenas quantidades. Este tratamento local é efectivo para aumentar a excitação, sensibilidade e resposta do clítoris. A mesma terapia aplicada na vulva pode melhorar a dispareunia de entrada.

  • TSH sistémica, ex. quando se toma dissemina-se por todo o corpo. Está indicada em causas de co-morbilidade sexual, quando há perda de libido e uma fraca excitação devida à menopausa e/ou quando referem sintomas menopáusicos. O tipo de TSH pode ser tomado seja por via oral, pensos, injecções, spray nasal, gel transdérmico ou em implantes subcutâneos.

    O desejo de uma mulher para manter uma boa sexualidade, ou para a melhorar se está mal, deve-se considerar para uma óptima escolha da TSH.

    Dois artigos recentes sobre a tibolona e TSH oral contendo estradiol e noretisterona (NETA), sugerem um efeito positivo significativo sobre o tonus muscular e a actividade motora. A actividade androgénica destes componentes, é também benéfica sob o ponto de vista sexual, tanto para o aumento do bem-estar genital, que melhora a energia vital e a sensação de bem-estar, e especificamente para o estado do pavimento pélvico, tão importante na função sexual feminina (se bem que estudos específicos sobre estes aspectos especiais não se tenham realizado até agora).

    A TSH sistémica e local estão indicadas para reduzir a dispareunia e a qualidade de vida e a sexualidade global de doentes tratadas a um cancro genital, com a excepção do adenocarcinoma do endométrio e do colo do útero.

  • A reabilitação dos músculos do pavimento pélvico, que se contraem na dor coital crónica, é muito importante no tratamento da dispareunia.

    O alongamento e o relaxamento dos músculos contraídos, a auto-massagem com um lubrificante ou a retroalimentação electromiográfica, quando disponível, podem todas melhorar a tensão muscular, reduzindo a dispareunia medio-vaginal e limitando a fonte da dor referida.

    Glazer HI Rodke G. Sewncionis C Hetz R Young AW treatment on vulvar vestibulitis syndrome with electromyographic biofeedback of pelvic floor musculature J.Reprod.Med. 40 (4) 283-290,1995

    McKay E Kaufman RH Doctor U Berkova Z. Glazer H Treating vulvar vestibulitis with electromyographic feedback of pelvic floor musculature J.Reprod.Med. 46:337-42, 2001

  • A electroanalgesia , um tratamento mais específico, deve ser recomendado quando haja hiperalgesia do intróito, ex. sensibilidade crónica à dor, devida ao Sindroma de Vestibulitis Vulvar (SVV).

  • O tratamento antálgico, com um tratamento sistémico e local está reservado para o tratamento de uma dispareunia grave, geralmente associada com SVV ou com uma dor neurológica, quando todos os tratamentos prévios falharam. Um bloqueio anestésico do gânglio présagrado impar foi proposto recentemente como um tratamento eficaz, de segunda linha, quando todos os tratamentos prévios falharam.

    Graziottin A. Vincenti E Paper presented as Podium Session at the meeting of the International Society for the Study of Women’s Sexual Health (ISSWSH), Proceedings of the Vancouver meeting, October 10-13, pag 51 (abstract)


  • Doenças médicas gerais coexistentes (vasculares, dismetabólicas, neurológicas, imunitárias) devem ser também estudadas para assim reduzir a etiologia multi-sistémica da dispareunia.

  • A TERAPÊUTICA PSICO-SEXUAL deve ser recomendada quando a etiologia da dor estiver mais dependente dos factores contextuais ou psico-sexuais, principalmente quando houver uma dinâmica negativa do casal em questão.

    Clulow C (ed) Adult attachment and couple psychotherapy Brunner Routledge, Hove (UK) 2001


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QUAIS SÃO AS DEFINIÇÕES MÉDICAS DE DOR DURANTE O COITO?
As classificações do Consenso Internacional sobre Disfunções Sexuais Femininas são:

  • Dispareunia: uma dor persistente ou recorrente associada com a actividade sexual

  • Vaginismo: um espasmo involuntário recorrente ou persistente dos músculos que rodeiam a vagina, fazendo que a penetração seja impossível ou muito dolorosa.


PARTE 2 VAGINISMO

O QUE É EXACTAMENTE O VAGINISMO?
  • O Vaginismo refere-se a um espasmo involuntário recorrente ou persistente dos músculos à volta da vagina.

  • Devido à tensão destes músculos, a entrada da vagina torna-se tão contraída que a penetração pode ser ou impossível ou muito dolorosa.
  • O Vaginismo está frequentemente associado a uma fobia para o coito, ex. um terror à penetração, de intensidade variável.

SE TEM VAGINISMO, TEVE-O SEMPRE?
  • O vaginismo pode ocorrer no início da vida sexual da mulher (desde sempre), ex. Vaginismo primário. Esta pode ser a causa de casamentos não consumados.

  • O vaginismo pode aparecer após meses ou anos de uma actividade sexual normal (adquirida), ex. vaginismo secundário.

Basson R., Bertian J., Burnett A., Graziottin A. et Al. Report of the International Consensus Development Conference on Female Sexual Dysfunction: Definitions and Classifications. J.Urol, March 2000; 163:888-93

O corpo fala por si mesmo

Um adequado exame do corpo feminino revela muitos factores bioquímicos subjacentes e do equilíbrio interno. Por exemplo:

  • As hormonas femininas - sobretudo os estrogéneos - estimulam todos os aspectos da feminilidade, físicos e psicológicos. Além disso, mantêm os tecidos genitais saudáveis e reactivos, favorecendo assim uma boa lubrificação e rápida congestão vaginal que tornam agradável a penetração.

  • Uma mulher prémenopáusica com ciclos menstruais regulares também desfrutar de uma sensação de bem-estar geral. Os estrogéneos dão à pele elasticidade e luminosidade. Sobretudo criam a característica "essência de mulher" típica da idade fértil.

  • A redução dos androgéneos do corpo feminino durante a menopausa não só reduz drasticamente o desejo sexual, energia vital e a positividade, mas também pode ser acompanhada de uma perda dos pelos púbicos e de uma redução da massa muscular e da força, conduzindo ao tão conhecido "Sindroma de Deficiência Androgénica Feminina".

  • Uma mudança não agradável na forma do corpo da mulher, com uma acumulação de gordura na cintura e estômago é outro "efeito secundário" e sinal da depleção de androgéneos.
  • Uma adequada avaliação da atitude física e do comportamento feminino pode identificar se existe um problema sexual, principalmente quando um vaginismo primário está em causa.

Haverá sinais de tensão, fora dos músculos peri-vaginais, que possam ser confundidos com o vaginismo?
  • Certamente. Uma boca apertada, com os músculos faciais tensos e com os olhos fechados são todas características frequentemente associadas em mulheres que sofrem de relações sexuais dolorosas, desde sempre, o vaginismo grave como se ela estiver assustada de "deixar-se levar", em todo o sentido. Interessantemente, uma boca apertada está geralmente associada a espasmos perivaginais, como se inconscientemente, a mulher estivesse fechando toda a abertura ao mundo da intimidade sexual.

  • Assim como os músculos que rodeiam a vagina e a boca, há outros dois pontos onde a tensão se pode acumular: a coluna cervical e a lumbar. Isto explica a crescente rigidez da coluna e a tensão dos músculos paravertebrais em muitas mulheres com vaginismo, afectando assim a postura.

Porque é que os músculos tensos interferem com a actividade sexual?
Quanto mais tenso estiver o corpo, tantos maiores serão os níveis de ansiedade e de stress que são inimigos do desejo sexual e da excitação. Além disso, a tensão cervical limita a capacidade de "se deixar ir", que é necessária para obter prazer sexual. O relaxamento físico e a mobilidade são "amigos" do prazer erótico, especialmente quando se chega à penetração.

Como é que a dificuldade respiratória pode interferir com a sexualidade?
  • A tensão emocional tende a fazer com que uma pessoa se veja pela forma como respira. Em momentos de ansiedade aguda, a respiração torna-se mais frequente e superficial, até ao ponto de se sentir asfixiada. Esta sensação tão desagradável é frequentemente referida quando uma mulher com vaginismo exprime os seus sentimentos com cada desejo de coito, apesar de uma relação amorosa com o seu parceiro. O terror de ser penetrada é referido como aterrador.

  • Quando esta tensão se torna permanente, assim como em certas disfunções sexuais, as alterações do ritmo e da profundidade podem tornar-se crónicas. Uma má qualidade de respiração inibe a nossa capacidade de perceber as nossas sensações e emoções, assim como as sexuais, como bem sabem os Orientais, impedindo de sentir, em profundidade, os prazeres do corpo.

Será este um problema físico ou psicológico?
Ambos. Os sinais de tensão, respiratória e muscular, chegam ao cérebro antes que os do prazer. Os estímulos eróticos, vêm da pele e dos genitais, que nestes casos estão bloqueados a nível da medula espinhal. Portanto, mesmo que uma mulher tenha um amante fantástico, todas as sensações de prazer físico bloqueiam-se na periferia e nunca chegam ao cérebro. Esta é a razão pela qual, para que o vaginismo seja tratado efectivamente, todos estes aspectos tenham de ser considerados.

E a avaliação clínica?
Além de notar estes sinais de tensão, o ginecologista deve avaliar durante a consulta o grau de gravidade do vaginismo, criando assim uma série de cenários do problema, que é uma avaliação prognóstica na qual se deve considerar o seguinte:

  • O nível de tensão dos músculos perivaginais
  • O grau de fobia
  • A presença, ou não, de outros problemas patológicos associados - quer sejam físicos ou psicológicos - (distúrbios do desejo sexual e de excitação, principalmente)
  • O motivo para uma solução
  • a situação da mulher (ex. só ou com uma relação)
  • a qualidade da relação
  • a presença de eventuais problemas masculinos associados
  • o número de anos desde que o problema foi detectado até ao momento de pedir ajuda

Após esta avaliação, o médico é capaz de escolher a melhor estratégia terapêutica.

QUAIS SÃO AS CAUSAS PRINCIPAIS DO VAGINISMO PRIMÁRIO?

As causas podem ser físicas e/ou psicológicas. Frequentemente ambas.

  • As causas psicológicas de vaginismos de toda a vida estão normalmente associados com medo da penetração devida a uma falta de educação sexual, inibições relacionadas com a religião, ou acerca da perda de sangue e/ou acerca do risco de ficar grávida, quando não há informação sobre contracepção disponível.

  • As causas físicas de vaginismos de toda a vida são raras, mas estão normalmente associadas a um hímen rígido e particularmente fibroso.

O que é exactamente o hímen?
  • O hímen é uma membrana à entrada da vagina, que se rompe com a primeira experiência sexual de penetração.

  • Em casos raros o hímen é tão rígido e fibroso que a penetração normal se torna impossível e requer uma intervenção médica simples com anestesia local para rompê-la.

  • Tentativas repetidas de penetração pelo casal em casos de hímenes rígidos, podem originar que a mulher se "defenda a si mesma" da dor, levando isto a um vaginismo.

Quais são as outras causas físicas de vaginismo?
  • Os factores físicos são a causa mais comum de vaginismo secundário.

  • Isto é o caso quando alterações na zona pélvica e genital (frequentemente devidas ao envelhecimento) levam à dispareunia, criam um espasmo defensivo dos músculos perivaginais. Isto pode levar à mialgia, que é quando a tensão muscular causa dor.

  • Nestes casos, os espasmos dos músculos elevadores, fazem a penetração dolorosa ou impossível, pode aparecer após muitos anos de uma mais ou menos normal actividade sexual.

  • A lembrança prévia de uma dor pode causar espasmos, mesmo depois de o problema físico original ter sido resolvido.

PORQUE NÃO DEVO TER RECEIO DE ENFRENTAR ESTE PROBLEMA AGORA!
  • A dor raramente é apenas psicológica.
  • A dor durante o coito não tem excepções. Como todos os sindromas dolorosos, tem normalmente um ou mais factores biológicos múltiplos.
  • A dor durante o coito merece uma cuidadosa atenção clínica, já que é um sintoma emergente comum de uma variedade de condições médicas que devem ser reconhecidas e tratadas de acordo.
  • POs factores psico-sexuais, principalmente libido baixa, de toda a vida ou adquirido recentemente devido a uma dor persistente, e desordens da excitação devidas ao efeito inibidor da dor, devem ser abordados em paralelo, de forma a dar um tratamento compreensivo, integrado e mais eficaz.
  • Temas psico-dinâmicos, tanto pessoais e/ou relacionados com as relações do casal devem ser também adequadamente abordados se estão presentes.
Qual é o tratamento mais eficaz do vaginismo?
É uma terapia psico-sexual de comportamento: Após ter excluído (ou tratado) factores biológicos concomitantes, a terapia abordará:

  • a falta de educação sexual, com uma informação adequada

  • Melhorar-se-á o conhecimento e o cuidado dos genitais, da parte interna do corpo, da possibilidade de controlar os músculos que, quando estão contraídos, "fecham" a zona do intróito da vagina: " Onde há uma parede, há uma porta e um caminho".

  • a mulher aprenderá a relaxar voluntariamente o pavimento pélvico, a prestar atenção aos diferentes níveis de tensão muscular, a integrar a respiração com uma relaxação física progressiva, a familiarizar-se com as sensações que ela pode perceber nos genitais.

  • Quando o componente fóbico é muito elevado, com uma excitação de alerta geral (ex. excesso de ansiedade e receio) o médico pode sugerir ansiolíticos e anti depressivos para reduzir o ataque de pânico perante a única ideia de ser penetrada, facilitando assim a progressão do tratamento.

  • quando a mulher é capaz de controlar os seus músculos, podem usar-se dilatadores ou moldes progressivos para a ajudar a familiarizar-se com novas sensações e possibilidades.

  • em paralelo, uma curta psicoterapia abordará os receios e temas psico-sexuais e/ou interacções negativas do casal.

  • quando há um problema masculino (um terço dos parceiros das pacientes com vaginismo sofre de Défice Eréctil e/ou ejaculação precoce) devem ser adequadamente vistos por um andrologista que trabalhe na equipa do centro de Medicina Sexual.

Em termos positivos, quais são os resultados?
Com um tratamento apropriado, a taxa de êxito é 94% em casos de vaginismo isolado e de 82% se ambos os membros do casal têm problemas sexuais, a probabilidade de êxito de um tratamento é mais alta quando o casal procura ajuda assim que descobrem o problema. O prognóstico é mais reservado quando a mulher procura ajuda muitos anos depois, quando inclusive a conduta sexual e qualquer tipo de intimidade já desapareceram.


Então porque não enfrentar o problema imediatamente?

REFERÊNCIAS

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Última actualização: 05/09/2003