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Definição
As hormonas são mensageiros químicos que são essenciais para uma vida saudável e normal. São segregadas pelas glândulas endócrinas, que são órgãos constituídos por grupos de células que produzem e segregam estas hormonas no sistema sanguíneo. As hormonas transferem informação e instruções como mensageiros químicos de uma parte do corpo a outra.
As Hormonas Sexuais na mulher
Os ovários são os órgãos reprodutivos femininos (gónadas) que libertam ovos e hormonas sexuais femininas. São de facto a principal fonte de produção de hormonas sexuais femininas durante os anos reprodutivos. As principais hormonas sexuais femininas são os estrogéneos e a progesterona. Estas hormonas são responsáveis por um desempenho sexual normal do corpo feminino.
A quantidade de hormonas sexuais no sistema sanguíneo durante a infância é muito baixa mas começa a aumentar na puberdade devido a um incremento na hormona Luteinizante a qual estimula a produção de esteroides ováricos. A mama, útero e vagina começam a desenvolver-se devido ao efeito destas hormonas.
As hormonas sexuais também trabalham juntas num complicado padrão para fazer que o ciclo reprodutivo funcione adequadamente. As hormonas formam a capa basal do útero no início do ciclo menstrual, preparando-se para uma possível gravidez. Se não ocorre uma gravidez, a produção hormonal decai. Quando a progesterona baixa a certo nível, a capa basal do útero cai, resultando numa menstruação e o útero está pronto para submeter-se a um novo ciclo.
TSH
autor:
M. P. Brincat
Gynaecologist
Última Revisão: 26/02/2003
As mulheres, mesmo tendo útero, devem substituir também a progesterona que usualmente era produzida pelos ovários. Esta progesterona ajuda a evitar o risco de desenvolver cancro do útero que se associou à terapia de substituição estrogénica. (Terapia de substituição estrogénica só se deve dar a mulheres a que se lhes tenha retirado o útero/matriz visto que não correm já nenhum risco de cancro uterino).
Quando a progesterona se agrega à terapia de substituição estrogénica,
a terapia resultante é conhecida como Terapia de Substituição Hormonal (TSH).
Mulheres com TSH notam que, na maioria dos casos, há um sangramento uterino regular
similar ao do período menstrual.
Este sangramento, que pode diminuir ou desaparecer com o tempo, é também sem dúvida uma das principais desvantagens para as mulheres com terapia de substituição estrogénica e é uma das razões pela qual o cumprimento é baixo.
Vários regimes de TSH estão disponíveis mas os dois mais frequentemente utilizados são:
TSH Sequencial (ou Cíclico-contínuo) :
Os estrogéneos dão-se diariamente e acrescenta-se a
progesterona por 10 a 14 dias cada mês. 80% das mulheres com
esta terapia terão um sangramento uterino mensal similar ao do
período menstrual.
TSH Combinada Contínua: Os estrogéneos
e progestagéneos dão-se diariamente ao longo do mês. A
possibilidade de um sangramento similar à menstruação é menor
quando se compara com uma mulher com TSH Sequencial (ou
cíclico-contínuo)
(TSH Cíclica é outra opção que actualmente se usa muito pouco. Consiste numa terapia similar à TSH Sequencial (ou cíclica-contínua) mas o tratamento só se aplica 25 dias por mês).
A avaliação dos riscos e benefícios associados com a TSH/TSE deve ser individualizada a cada mulher. A decisão deve basear-se no estado actual de saúde da mulher, nos seus risco/s de desenvolver alguma das graves doenças associadas com a menopausa. Se os benefícios potenciais derivados da terapia de substituição sobrepassam os riscos então as hormonas estão indicadas.
Estrogéneo
autor:
M. P. Brincat
Gynaecologist
Última Revisão: 26/02/2003
O estrogéneo é a principal hormona sexual feminina produzida principalmente nos ovários. O estrogéneo é de facto um grupo de 3 hormonas, a estrona, o estradiol e o estriol, também conhecidas como E1, E2 e E3 respectivamente.
O principal estrogéneo produzido pelo ovário é o estradiol e é o principal estrogéneo na pré-menopausa.
A estrona forma-se a partir do estradiol, é um estrogéneo mais fraco que o estradiol. Converte-se no principal tipo de estrogéneo na menopausa uma vez que os seus níveis não diminuem tanto como os do estradiol durante este período.
Durante a gravidez a principal forma de estrogéneos é o estriol, um estrogéneo débil.
Todos estes estrogéneos que ocorrem naturalmente (estrona, estradiol e estriol) são esteroides C18 segregados pelas células do ovário. Estas células estão nas células da granulosa e da teca interna. Estas células podem-se originar do folículo ovárico em desenvolvimento, do corpo amrelo ou no caso de uma gravidez a partir da placenta. Outra forma de produção de estrogéneos é por um processo conhecido como a aromatização de hormonas masculinas chamadas androgéneos (tais como a androstenediona). Ocorre normalmente no tecido gordo, no fígado e na pele. 98% do estradiol presente no sistema sanguíneo está associada a proteínas específicas, as globulinas transportadoras de hormonas sexuais e à albumina ficando menos de 2% livre na circulação. A excreção ocorre através dos rins. Os estrogéneos são inicialmente metabolizados pelo fígado (ocorre a conjugação), tornando-se assim solúvel em água. Em seguida são excretados na bílis, reabsorvidos no intestino e finalmente excretados do corpo pelos rins. Os estrogéneos estimulam o desenvolvimento mamário, a menstruação e outras alterações sexuais secundárias femininas.
Os estrogéneos têm efeito sobre o osso, são os responsáveis por um rápido crescimento nos anos da adolescência e ao mesmo tempo travam o crescimento excessivo ao fechar as placas epifisiarias dos ossos grandes.
O desenvolvimento mamário (tanto dos elementos glandulares como do estroma) está também sob a influência dos estrogéneos.
Esta hormona é também responsável pela cor café (pigmentação) dos mamilos e aréolas. O estrogéneo é essencial para a vida reprodutiva de toda a mulher e é necessária para as alterações endometriais cíclicas.
É essencial para a ovulação, concepção e uma eventual gravidez.
Também mantém a força óssea, a pele saudável e ajuda a regular o colesterol.
O colesterol plasmático diminui com os estrogéneos, sendo assim protectores contra o endurecimento das paredes dos vasos sanguíneos arteriais, uma condição conhecida como arteriosclerose, a qual é a causa de mais de metade da mortalidade nos países em desenvolvimento.
Terapia de substituição hormonal
Na menopausa os níveis de estrogéneos diminuem. A substituição dos estrogéneos chama-se Terapia de Substituição Estrogénica (TSE). Os estrogéneos podem ser tomados isolados (chamada estrogéneos sem oposição) ou em combinação com um progestageno. Esta última terapia é chamada Terapia de Substituição Hormonal (TSH).
A terapia de substituição estrogénica dá-se normalmente a mulheres com histerectomia (extracção cirúrgica da matriz/útero) enquanto que a terapia de substituição hormonal se dá a mulheres com útero intacto. Algumas mulheres podem apresentar certas condições que são contra-indicações ao uso de TSE/TSH. Estas condições ou factores de risco são:
Some women may have certain conditions that are contraindications to ERT/HRT use.
These conditions or risk factors include the following:
Gravidez confirmada ou suspeita
História de cancro da mama
História de cancro hormono sensitivo
Sangramento uterino inexplicado
História de perturbações da
coagulação
Há outras situações que também devem ser consideradas quando se prescreve TSE/TSH.
Estas incluem condições como a hipertensão descompensada, fibróides e uma história familiar de cancro da mama.
Efeitos Secundários
Alguns efeitos secundários como, a sensibilidade mamária, sangramento uterino anormal, náusea, retenção de líquidos, cefaleias (algumas vezes enxaqueca), enjoo, inchaço abdominal, pigmentação da pele, problemas de vesícula e alterações de humor foram associadas com a TSE/TSH.
Todos estes efeitos secundários se podem verificar com o uso de diferentes métodos e de facto a maioria destes efeitos são normalmente auto limitados, duram apenas até que o corpo se ajuste ao seu novo estado hormonal.
Algumas mulheres notam um aumento de peso mas este não é causado pelos estrogéneos. O aumento do peso pode ser devido à retenção de líquidos especialmente nas mãos e pés, levando a um ganho de peso temporário. Alguns estudos recentes mostram que pode haver algum risco aumentado de cancro da mama em pacientes com risco desta patologia. Mas este risco continua a ser relativamente pequeno. Estudos recentes questionaram os efeitos a longo prazo de algumas das terapias de substituição hormonal e esperam-se futuras investigações.
A terapia de substituição hormonal está disponível em várias formas. Está disponível como:
Comprimidos
Adesivos (libertam a droga através da
pele)
Gel (aplicado sobre a pele)
Creme vaginal
Implantes (colocados no tecido
grosso)
A forma ideal de substituição depende de cada mulher e deve ser discutida com o médico.
Progesterona
autor:
M. P. Brincat
Gynaecologist
Última Revisão: 26/02/2003
A progesterona é uma hormona feminina envolvida no ciclo menstrual. Trabalha em conjunto com os estrogéneos e é um dos reguladores do ciclo menstrual. Prepara o corpo feminino para a concepção e possível gravidez. A progesterona também desempenha um papel na manutenção de uma gravidez e pode ajudar a evitar os abortos.
Se a quantidade de progesterona não é adequada então verificam-se alterações na capa basal do útero, o endométrio.
O termo utilizado quando há uma produção inadequada de progesterona pelos ovários na segunda metade do ciclo menstrual é insuficiência da fase luteínica.
Esta situação pode causar um defeito na implantação do óvulo fertilizado ou se já está implantado pode ocorrer um aborto.
Logo que a placenta se torna autónoma, produz progesterona suficiente para poder suportar a gravidez, ou seja, produz progesterona suficiente para manter a gravidez.
Nos anos perimenopáusicos, quando os ciclos menstruais se começam a tornar irregulares, a progesterona desempenha um papel. A progesterona continua a produzir-se na mulher pósmenopáusicas ainda que em quantidades muito mais pequenas que nos anos reprodutivos. A progesterona é também um importante componente da terapia de substituição hormonal já que protege a capa interna do útero, o endométrio, de alterações que podem conduzir a um cancro.
Testosterona
autor:
M. P. Brincat
Gynaecologist
Última Revisão: 26/02/2003
A testosterona é uma hormona, produzida principalmente pelos testículos (pelas células intersticiais de Leyding), que estimulam o desempenho das características sexuais secundárias e que suportam a produção de esperma nos homens.
Uma pequena quantidade (cerca de 5%) produz-se na glândula adrenal, pequenas glândulas localizadas nos rins. Logo na menarca (momento do primeiro ciclo menstrual) a mulher começa a produzir testosterona mas numa muito menor taxa que os homens.
Esta produção dá-se em iguais quantidades nos ovários e suprarenais sob a forma de testosterona e androstenodiona.
A testosterona é importante no nosso corpo pois ajuda a manter o músculo corporal e também tem um importante papel na conduta sexual e a líbido.
Os níveis de testosterona diminuem na menopausa assim como os estrogéneos mas não de uma maneira tão aguda como a dos estrogéneos. A mulher pode sentir falta de energia e uma diminuição da conduta sexual quando estes níveis diminuem.
A testosterona ajuda na osteoporose, tem o potencial de fortalecer o osso e também de ajudar a preservar a massa muscular diminuindo o risco de fracturas devido a uma melhor densidade muscular. Em doses apropriadas não parece haver nenhum efeito secundário e por isso a monitorização das doses é necessária.
Em doses excessivas pode produzir um aumento do pelo corporal e caída do cabelo e incrementar o acne.
As lipoproteínas de alta densidade, o "colesterol bom", também diminuem e o risco de ataques de coração pode aumentar. A testosterona já se pode substituir seja com preparados de colocação intramuscular ou no futuro através de adesivos cutâneos, estando estes ainda a ser desenvolvidos.
SERM
autor:
M. P. Brincat
Gynaecologist
Última Revisão: 26/02/2003
Moduladores selectivos dos receptores estrogénicos (SERMs), são uma relativamente nova classe de estrogéneos sintéticos que actuam como estrogéneos em certas partes do corpo (como no osso) enquanto que não têm efeito estrogénico noutras partes do corpo.
Dois tipos de SERMs estão disponíveis e actuam diferentemente sobre diferentes partes do corpo: o tamoxifeno usa-se para reduzir o risco de cancro da mama e o raloxifeno usa-se para protecção contra a osteoporose.
O seu uso foi destacado nos recentes resultados da Women´s Health Initiative. O tamoxifeno foi criado inicialmente para o tratamento de pacientes com cancro da mama mas logo se verificou que também podia ser usado como tratamento preventivo do cancro da mama em mulheres com alto risco para esta doença. Este efeito protector dura 5 anos.
O raloxifeno ajuda a prevenir a osteoporose nas mulheres e diminui o risco de fracturas em mulheres com osteoporose. Ajuda na prevenção e tratamento da osteoporose. Não tem efeitos benéficos sobre outros sintomas menopáusicos como os afrontamentos ou suores nocturnos.
Os SERMs não se devem usar em mulheres com história ou tendência para perturbações de coagulação como a trombose venosa profunda.
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